Sobre

O Brasil é um país de dimensões continentais de extrema diversidade em relação às condições climáticas e ambientais, densidade populacional, desenvolvimento econômico e características étnicas e culturais. Uma das dez economias mais ricas do mundo, é também um dos países mais desiguais: de acordo com o Banco Mundial, está entre os 10 países com o mais alto índice de Gini, uma medida da desigualdade de distribuição de renda. O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de saúde com cobertura universal, o Sistema Único de Saúde (SUS), que abrange toda a população brasileira, estimada em 210 milhões de habitantes em 2019, ano em que era o sistema de saúde exclusivo para 76% da população. De fato, o SUS coexiste com um sistema de saúde privado que inclui planos de saúde, seguros e profissionais de saúde privados. Estabelecida pela Constituição Brasileira de 1988, a implementação e expansão do SUS permitiu ao Brasil atender rapidamente às mudanças nas necessidades de saúde da população, com aumento dramático da cobertura dos serviços de saúde e aumento da expectativa de vida em apenas três décadas (1, 2). O Programa Saúde da Família (PSF), lançado em 1994, é uma iniciativa líder na estratégia nacional de redução da mortalidade por DCV baseada na atenção primária à saúde, atendendo quase 123 milhões de pessoas (63% da população brasileira) em 2015(3). No entanto, apesar de seus sucessos, a análise de cenários futuros sugere a necessidade urgente de abordar desigualdades geográficas persistentes, financiamento insuficiente e questões relacionadas ao acesso e à qualidade do cuidado (1, 2).
 

As doenças cardiovasculares (DCV) têm sido a principal causa de mortalidade desde a década de 1960 e representam uma carga considerável de doenças no Brasil (2, 4). Dados consideráveis sobre a saúde cardiovascular se encontram disponíveis em bancos de dados governamentais de vigilância e administração em saúde e em estudos epidemiológicos (5-10). No entanto, dados nacionais representativos e confiáveis sobre diversos comportamentos de saúde e fatores de risco cardiovascular e sobre a morbidade avaliada nos setores público e privado continuam escassos (2). Nos últimos anos, o projeto Global Burden of Disease, liderado pelo Institute of Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, começou a trabalhar com uma rede brasileira do GBD para divulgar estimativas subnacionais da carga de doenças por unidades federativas brasileiras, inclusive por causas cardiovasculares (11-14). 
 

Este relatório, um documento denominado Estatística Cardiovascular Brasil, traz estatísticas oficiais fornecidas pelo Ministério da Saúde e outros órgãos governamentais, além de dados gerados por outras fontes e estudos científicos sobre doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e outras doenças vasculares, incluindo dados do GBD/IHME. O objetivo deste projeto é monitorar e avaliar continuamente as fontes de dados sobre doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais no Brasil a fim de fornecer informações mais atualizadas sobre a epidemiologia das doenças cardiovasculares à sociedade brasileira, anualmente. Esta iniciativa se baseia na metodologia do relatório Heart Disease & Stroke Statistics Update (15) da American Heart Association (15) e tem o apoio da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da rede GBD Brasil e de um Comitê Internacional. O documento Estatística Cardiovascular Brasil é o resultado de um esforço feito por médicos e cientistas voluntários dedicados, profissionais governamentais comprometidos e membros de destaque da SBC, sem os quais a publicação desse valioso recurso teria sido impossível. O documento foi concebido com o objetivo de ser um valioso recurso para pesquisadores, médicos, pacientes, formuladores de políticas de saúde, profissionais de comunicação, o público e outros que buscam os melhores dados nacionais disponíveis sobre a incidência de doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais. A primeira edição foi restrita a um número limitado de condições clínicas, listadas abaixo:
 

  1. Total de doenças cardiovasculares

  2. Doença vascular cerebral

  3. Doença cardiovascular coronária, síndrome coronariana aguda e angina pectoris

  4. Cardiomiopatia e insuficiência cardíaca

  5. Doenças valvares, incluindo cardiopatia reumática

  6. Fibrilação Atrial
     

Todos os capítulos são padronizados em uma estrutura comum e incluem pelo menos os seguintes tópicos: Prevalência, Incidência, Mortalidade, Carga de Doença, Utilização e Custos com o Cuidado Médico, Direcionamentos Futuras. Nas edições seguintes, pretendemos cobrir de forma mais abrangente as condições cardíacas clínicas, além de fatores de risco cardiovascular, hábitos de vida, qualidade do cuidado e outros aspectos relevantes para o estudo das doenças cardiovasculares.


A ênfase do documento são os dados epidemiológicos atualizados. O documento não se concentra nos mecanismos fisiopatológicos ou nos méritos de tratamentos clínicos específicos e não faz recomendações de tratamento. Também não é um documento de posicionamento ou uma revisão abrangente, mas procura apresentar as mais recentes e melhores métricas de saúde relacionadas às estatísticas de doenças cardiovasculares para a população brasileira. Além disso, não se destina a abranger outros países e regiões, ficando restrito ao Brasil, suas regiões e unidades federativas. 

Para o presente documento, usamos principalmente três fontes de dados: (a) Dados dos sistemas brasileiros de mortalidade e saúde, fornecidos pelo governo; (b) estimativas do GBD 2017; (c) revisão sistemática da literatura com ênfase no que foi publicado nos últimos 10 anos. As mesmas métricas de diferentes fontes não eram idênticas e as diferenças podem estar relacionadas a diferentes períodos, localização, faixa etária ou outros aspectos metodológicos (Malta, 2020, ABC Cardiol, no prelo).

 

Como tal, não evitamos citar métricas discordantes, mas as possíveis razões para essas diferenças foram mencionadas ou discutidas a partir de uma perspectiva geral. Como muitos estudos abrangem um longo período e a expectativa de vida aumentou no Brasil nas últimas décadas, decidimos usar taxas padronizadas por idade, ou seja, uma média ponderada das taxas específicas por idade para cada 100.000 pessoas, onde os pesos são os proporções de pessoas nas faixas etárias correspondentes de uma população padrão. A padronização por idade do GBD usa um padrão etário global, embora outras fontes possam ter usado diferentes populações como referência. Para a maioria dos estudos, a etnia/cor da pele foi utilizada de acordo com a definição do IBGE, ou seja, branco, negro, pardo, amarelo (oriental) ou índio (índio nativo). 

 

  1. Castro MC, Massuda A, Almeida G, Menezes-Filho NA, Andrade MV, de Souza Noronha KVM, Rocha R, Macinko J, Hone T, Tasca R, Giovanella L, Malik AM, Werneck H, Fachini LA, Atun R. Brazil's unified health system: the first 30 years and prospects for the future. Lancet. 2019;394(10195):345-56.

  2. Ribeiro AL, Duncan BB, Brant LC, Lotufo PA, Mill JG, Barreto SM. Cardiovascular Health in Brazil: Trends and Perspectives. Circulation. 2016;133(4):422-33.

  3. Andrade MV, Coelho AQ, Xavier Neto M, Carvalho LR, Atun R, Castro MC. Brazil's Family Health Strategy: factors associated with programme uptake and coverage expansion over 15 years (1998-2012). Health Policy Plan. 2018;33(3):368-80.

  4. Nascimento BR, Brant LCC, Oliveira GMM, Malachias MVB, Reis GMA, Teixeira RA, Malta DC, Franca E, Souza MFM, Roth GA, Ribeiro ALP. Cardiovascular Disease Epidemiology in Portuguese-Speaking Countries: data from the Global Burden of Disease, 1990 to 2016. Arq Bras Cardiol. 2018;110(6):500-11.

  5. Malta DC, Stopa SR, Iser BP, Bernal RT, Claro RM, Nardi AC, Dos Reis AA, Monteiro CA. Risk and protective factors for chronic diseases by telephone survey in capitals of Brazil, Vigitel 2014. Rev Bras Epidemiol. 2015;18 Suppl 2:238-55.

  6. Nascimento BR, Brant LC, Lana ML, Lopes EL, Ribeiro AL. Trends in Procedure Type, Morbidity and In-Hospital Outcomes of Patients with Peripheral Artery Disease: Data from the Brazilian Public Health System. Annals of vascular surgery. 2016;31:143-51.

  7. Goncalves RPF, Haikal DS, Freitas MIF, Machado IE, Malta DC. Self-reported medical diagnosis of heart disease and associated risk factors: National Health Survey. Rev Bras Epidemiol. 2019;22Suppl 02(Suppl 02):E190016 SUPL 2.

  8. Schmidt MI, Duncan BB, Mill JG, Lotufo PA, Chor D, Barreto SM, Aquino EM, Passos VM, Matos SM, Molina MD, Carvalho MS, Bensenor IM. Cohort Profile: Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). IntJ Epidemiol. 2015;44(1):68-75.

  9. Lima-Costa MF, Peixoto SV, Matos DL, Firmo JO, Uchoa E. Predictors of 10-year mortality in a population of community-dwelling Brazilian elderly: the Bambui Cohort Study of Aging. Cadernos de saude publica. 2011;27 Suppl 3:S360-9.

  10. Villela PB, Klein CH, de Oliveira GMM. Socioeconomic factors and mortality due to cerebrovascular and hypertensive disease in Brazil. Rev Port Cardiol. 2019;38(3):205-12.

  11. Lotufo PA, Goulart AC, Passos VMA, Satake FM, Souza MFM, Franca EB, Ribeiro ALP, Bensenor IJM. Cerebrovascular disease in Brazil from 1990 to 2015: Global Burden of Disease 2015. Rev Bras Epidemiol. 2017;20Suppl 01(Suppl 01):129-41.

  12. Brant LCC, Nascimento BR, Passos VMA, Duncan BB, Bensenor IJM, Malta DC, Souza MFM, Ishitani LH, Franca E, Oliveira MS, Mooney M, Naghavi M, Roth G, Ribeiro ALP. Variations and particularities in cardiovascular disease mortality in Brazil and Brazilian states in 1990 and 2015: estimates from the Global Burden of Disease. Rev Bras Epidemiol. 2017;20Suppl 01(Suppl 01):116-28.

  13. Franca EB, Passos VMA, Malta DC, Duncan BB, Ribeiro ALP, Guimaraes MDC, Abreu DMX, Vasconcelos AMN, Carneiro M, Teixeira R, Camargos P, Melo APS, Queiroz BL, Schmidt MI, Ishitani L, Ladeira RM, Morais-Neto OL, Bustamante-Teixeira MT, Guerra MR, Bensenor I, Lotufo P, Mooney M, Naghavi M. Cause-specific mortality for 249 causes in Brazil and states during 1990-2015: a systematic analysis for the global burden of disease study 2015. Popul Health Metr. 2017;15(1):39.

  14. Collaborators GBDB. Burden of disease in Brazil, 1990-2016: a systematic subnational analysis for the Global Burden of Disease Study 2016. Lancet. 2018;392(10149):760-75.

  15. Virani SS, Alonso A, Benjamin EJ, Bittencourt MS, Callaway CW, Carson AP, Chamberlain AM, Chang AR, Cheng S, Delling FN, Djousse L, Elkind MSV, Ferguson JF, Fornage M, Khan SS, Kissela BM, Knutson KL, Kwan TW, Lackland DT, Lewis TT, Lichtman JH, Longenecker CT, Loop MS, Lutsey PL, Martin SS, Matsushita K, Moran AE, Mussolino ME, Perak AM, Rosamond WD, Roth GA, Sampson UKA, Satou GM, Schroeder EB, Shah SH, Shay CM, Spartano NL, Stokes A, Tirschwell DL, VanWagner LB, Tsao CW, American Heart Association Council on E, Prevention Statistics C, Stroke Statistics S. Heart Disease and Stroke Statistics-2020 Update: A Report From the American Heart Association. Circulation. 2020;141(9):e139-e596.

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