Métricas e Métodos Estatísticos

O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) foi implantado em 1975 e foi o primeiro sistema de informação epidemiológica do Ministério da Saúde, tendo abrangência nacional.[1]


O documento base do SIM é a Declaração de Óbito (DO) que deve ser preenchida pelo profissional médico. O médico que assistiu a pessoa que faleceu é o principal responsável pelo documento, porém, na ausência ou falta do mesmo, o médico substituto, médico do Serviço de Verificação de Óbito – nos casos de morte por causa natural – e o médico legista do Instituto Médico Legal – para os óbitos por causas externas devem assumir esse compromisso.[1,2,3]


O SIM constitui uma das principais ferramentas para o monitoramento das estatísticas de mortalidade no país, uma vez que todos os municípios do território nacional devem registrar seus óbitos, o que leva a cerca de 1,3 milhões de registros de óbitos ao ano. 
O SIM vem apresentando avanços na sua qualidade com o passar dos anos, como o aumento da cobertura dos óbitos em todas as UF, passando de 86% em 2000 para 98% em 2017, embora alguns estados do Norte e Nordeste ainda mantenham coberturas menores que 95%.[1,3] Outro indicador que mostra a melhoria da qualidade dos dados SIM é a proporção de causas mal definidas de óbitos, que também apresentou redução mas, ao ser analisada de forma regionalizada, ainda apresenta proporções elevadas. Em função disto, as análises de situação de saúde feitas com os dados de mortalidade devem ser realizadas utilizando-se metodologias de correções capazes de minimizar o viés causado pelas causas mal definidas, códigos garbage (CG) e o subregistro de óbitos informados[1].


As Estatísticas Cardiovasculares apresentam os dados do SIM, segundo a metodologia proposta por Malta et al, (2020), que utiliza para o cálculo das taxas a população padronizada por idade, e aplica correções como: a) no numerador, os óbitos do capítulo de cardiovasculares (I00-I99) com correção de subregistro e a redistribuição proporcional das causas mal definidas, de forma proporcional entre o grupos de causas cardiovasculares e as demais causas, além da redistribuição proporcional dos óbitos sem informação de idade e sexo. b) No denominador são utilizadas as estimativas populacionais mais atualizadas geradas pelo IBGE[4].

Figure 1 — Summary of SIM data for estimates of cardiovascular diseases.

Em 2020, as Estatísticas Cardiovasculares utilizaram dados do GBD 20175 para o Brasil, visando a comparação internacional. O GBD utiliza os dados do SIM, e aplica metodologia complexa e de forma padronizada para todos os países do estudo contendo correções para o subregistro de óbitos, redistribuição dos códigos garbage (causas mal definidas e inespecíficas que não devem ser consideradas como causa básica final de óbito por não apresentar importância para as ações em saúde pública) e a população mundial GBD 2017. Sendo assim, as estimativas do GBD e do SIM, com as correções efetuadas, podem apresentar diferenças.[1]

Para as próximas edições, serão aplicadas novas metodologias de correção do SIM, permitindo a comparação com as estimativas do GBD. Na atual edição, em função das dificuldade de redistribuição de óbitos do SIM, em níveis de causas de óbitos mais desagregados, optou-se por apresentar as estimativas GBD 2017.

 

REFERÊNCIA

  1. Malta DC, Teixeira, RA, Oliveira, GMM, Ribeiro AP. Mortality due to Cardiovascular Diseases according to Mortality Information System and estimates of Global burden of Diseases study, Brazil, 2000 to 2017. Arquivos Brasileiro de Cardiologia, 2020. 

  2. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. Informações de Saúde, Epidemiológicas e Morbidade: banco de dados. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0501. Acesso em: 12 fev. 2018.

  3. Brasil. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2018 uma análise de situação de saúde e das doenças e agravos crônicos: desafios e perspectivas. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. 424 p.

  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeção da População Brasil e Unidades da Federação. Revisão 2018. 2ª Revisão.; Rio de Janeiro 2018.

  5. GBD 2016 Causes of Death Collaborators.. Global, regional, and national age-sex-specific mortality for 282 causes of death in 195 countries and territories, 1980–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. The Lancet. Volume 392, Issue10159, P1736-1788, NOVEMBER 10, 2018.

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